
Foto: Cookiecutter — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado
Em 22 de julho de 2026, o Plenário do TCU aprovou o Acórdão nº 1.944/2026, relatado pelo ministro Benjamin Zymler, sobre a gestão de tecnologia da informação em 110 instituições federais de ensino — 69 universidades e 41 da rede profissional e tecnológica, das quais 106 responderam aos questionários. A auditoria encontrou 225 datacenters próprios, mais de dois por instituição. Em 2024, essas instituições gastaram R$ 152 milhões em infraestrutura local, mais da metade do total investido em TI. Cerca de um terço da força de trabalho de TI — 2.194 servidores — está alocada em atendimento a usuários, e não em áreas estratégicas. O tribunal estimou economia potencial de R$ 200 milhões por ano com realocação.
O achado mais revelador, para quem trabalha com informação, é a divergência contábil: o registro orçamentário oficial apontava R$ 197 milhões, enquanto as próprias instituições declararam R$ 295 milhões. São R$ 98 milhões de diferença, atribuídos a classificação inconsistente. Não é fraude nem descontrole financeiro — é falta de taxonomia comum. Cada instituição chama a mesma coisa por um nome diferente, e o resultado é que ninguém, nem elas, nem o ministério, nem o tribunal, consegue responder com precisão quanto o sistema gasta com TI.
Para quem lidera uma organização, a lição prática é que silo de dados começa muito antes do servidor: começa no vocabulário. Duas áreas que classificam a mesma despesa, o mesmo cliente ou o mesmo defeito com nomes diferentes já estão impedidas de somar seus números — e nenhuma ferramenta corrige isso depois. O trabalho que resolve é chato e barato: uma lista única de termos, com dono, publicada, e a regra de que relatório que não usa essa lista volta. É o mesmo princípio do inventário de acervo, aplicado a custos.
O acórdão também registra que 54% das instituições avaliadas não monitoram a execução do próprio plano de ação de TI, e as medidas vieram como recomendação — planos de consolidação de infraestrutura, catálogos padronizados de contratação e taxonomia de custos —, sem prazos vinculantes. Vale observar o padrão: um diagnóstico preciso, sem prazo obrigatório, tende a virar o próximo diagnóstico.
“Antes de integrar sistemas, é preciso integrar as palavras — dado que cada área nomeia do seu jeito nunca soma.”
Fontes
- Capital Digital — “TCU expõe o colapso da gestão de TI nas universidades e institutos federais” — 28/07/2026 — https://capitaldigital.com.br/tcu-expoe-o-colapso-da-gestao-de-ti-nas-universidades-e-institutos-federais/