321 órgãos, nota 2,94 de 5: o retrato bienal de quanto uma administração pública sabe do que faz

Fileiras de pastas de arquivo organizadas em prateleira

Foto: George Diamanto — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado

Em 31 de julho de 2026, o State Records NSW, órgão arquivístico do estado australiano de Nova Gales do Sul, publicou o Recordkeeping Monitoring Exercise 2026 — um exercício bienal previsto no State Records Act de 1998 que mede, com o mesmo questionário, quão bem cada órgão público gerencia seus documentos. Participaram 321 órgãos, contra 289 em 2024, com taxa de resposta de 85%. A pontuação geral de maturidade ficou em 2,94 de 5, praticamente igual aos 2,93 de dois anos antes; a conformidade agregada subiu de 68,57% para 69,85%.

Os três piores itens dizem muito sobre onde a informação escapa das organizações: terceirização e contratos, monitoramento de desempenho e transferência de documentos. Não é por acaso. São exatamente os três momentos em que o documento troca de mãos — vai para um fornecedor, deveria virar indicador, ou muda de guarda. O boletim de agosto do próprio órgão acrescenta que três áreas pioraram — sistemas de negócio de alto risco e alto valor, gestão de risco informacional e diretrizes de acesso — e que nove das dezenove questões tiveram conformidade igual ou inferior a dois terços. Haverá apoio dirigido aos órgãos com pior desempenho até março de 2028.

Para quem lidera uma organização, o que vale copiar aqui não é o resultado, é o instrumento. Governança do conhecimento sem medição repetida vira discurso: todo mundo concorda que documentar é importante, ninguém sabe dizer se melhorou. Um questionário curto, igual todo ano, respondido por cada área, com nota publicada internamente, faz um trabalho que nenhuma consultoria faz — mostra a direção do movimento. E a direção, no caso de Nova Gales do Sul, é o achado mais importante: quatro anos de política pública ativa moveram a agulha em um centésimo. Maturidade documental muda devagar, e quem espera resultado em um trimestre desiste antes.

Vale também o alerta sobre terceirização, que é o item mais fraco da série. Quando um processo sai para um fornecedor, o registro sobre como aquilo é feito costuma sair junto — e volta, quando volta, como fatura, não como conhecimento. Contrato que não obriga entrega de documentação ao final é contrato que compra o serviço e aluga o entendimento.

“O documento se perde nos três momentos em que troca de mãos: quando terceiriza, quando deveria virar indicador e quando muda de guarda.”

Fontes

  • State Records NSW — “Recordkeeping Monitoring Exercise reports” — 31/07/2026 — https://www.nsw.gov.au/departments-and-agencies/dciths/state-records-nsw/resources/rme-reports
  • State Records NSW — “For the Record – August 2026” — 11/08/2026 — https://www.nsw.gov.au/departments-and-agencies/dciths/state-records-nsw/news-and-updates/for-record-august-2026